Durante as celebrações do Dia da Polícia, o Presidente egípcio alertou que o Cairo não permitirá a criação de exércitos paralelos nas suas fronteiras, numa alusão clara às crises regionais.
24 de janeiro de 2026 | MENA24.COM
CAIRO – O Presidente egípcio, Abdel Fattah Al-Sisi, emitiu este sábado (24) um aviso severo relativamente à instabilidade no Médio Oriente e Norte de África, declarando que o Egipto considera a integridade territorial dos seus vizinhos uma questão de segurança nacional inegociável.
Durante o seu discurso na Academia de Polícia, por ocasião do 74.º aniversário do Dia da Polícia Egípcia, Al-Sisi delineou o que classificou como "linhas vermelhas" para a política externa do Cairo, numa altura em que a região enfrenta turbulência geopolítica.
“Não” às Milícias e Exércitos Paralelos
O chefe de Estado egípcio foi perentório ao rejeitar qualquer cenário que envolva a divisão de nações ou a ascensão de forças armadas não estatais.
«Rejeitamos categoricamente quaisquer esforços destinados a dividir os países da região ou a separar partes do seu território», afirmou Al-Sisi.
O Presidente acrescentou ainda um ponto crucial para a doutrina de segurança do Cairo: «Recusamos a criação de milícias ou entidades paralelas aos exércitos e instituições nacionais legítimas na região. Consideramos estas práticas nos nossos países vizinhos uma linha vermelha que não permitiremos que seja ultrapassada.»
O Contexto: Uma Mensagem para Quem?
Embora Al-Sisi tenha evitado nomear explicitamente países específicos — referindo que tal omissão visa evitar embaraços diplomáticos —, o contexto das suas declarações é claro para os observadores internacionais.
Estas palavras surgem num momento crítico para o Sudão, vizinho direto do Egipto a sul, onde o conflito entre o exército nacional e as Forças de Apoio Rápido (uma força paramilitar) tem devastado o país. O Egipto tem defendido consistentemente a primazia das instituições estatais e dos exércitos nacionais contra grupos armados irregulares. A mensagem também ecoa a situação na Líbia, a oeste, onde a proliferação de milícias continua a ser um obstáculo à unificação do país.
A Visão Egípcia de Estabilidade
Para o público europeu e lusófono, estas declarações sublinham o papel do Egipto como um pilar de estabilidade no Mediterrâneo Oriental. Al-Sisi argumentou que a existência de "entidades paralelas" foi a principal causa da destruição de vários estados na região nos últimos anos.
Ao classificar estas ameaças como uma "linha vermelha", o Cairo sinaliza à comunidade internacional que poderá tomar medidas assertivas para proteger as suas fronteiras caso o caos nos países vizinhos ameace alastrar-se, reafirmando o compromisso do Egipto com a soberania dos estados-nação face à fragmentação sectária ou tribal.
