Introdução:
"O que começou como um pacto de sangue contra um inimigo comum transformou-se, em janeiro de 2026, num jogo de tronos impiedoso. A aliança inquebrável entre Riade e Abu Dhabi é agora uma memória distante. No sul da Península Arábica, as máscaras caíram: já não se trata apenas de derrotar os Houthis, mas de uma luta feroz pela hegemonia regional.
Enquanto o mundo olha para outro lado, duas potências aliadas travam uma batalha silenciosa que ameaça redesenhar o mapa do Médio Oriente. Eis a cronologia de uma rutura anunciada e as suas consequências devastadoras."
1. Cronologia do Colapso: De Irmãos a Rivais
2015-2017: A Ilusão da Unidade
No início da "Tempestade Decisiva", sauditas e emiradenses lutavam ombro a ombro. O objetivo era claro: restaurar a legitimidade e travar o avanço iraniano. Mas, nos bastidores, agendas distintas começavam a ser desenhadas.
2017-2024: A Fissura Oculta e a Guerra de Procuração
A criação do "Conselho de Transição do Sul" (STC), armado e financiado pelos Emirados, foi o primeiro golpe. Enquanto Riade tentava manter o Iémen unido, Abu Dhabi construía o seu próprio império costeiro, controlando portos estratégicos e ilhas como Socotorá. Era uma "paz fria", onde os aliados sorriam nas cimeiras, mas armavam fações rivais no terreno.
Janeiro de 2026: O Ponto de Rutura (A Batalha pelo Leste)
- O "tabuleiro de xadrez" explodiu. Com o avanço das forças apoiadas pelos Emirados em direção a Hadramaute e Al-Mahra, a Arábia Saudita traçou uma linha vermelha. Para Riade, estas províncias são o seu único acesso direto ao Oceano Índico e uma questão de segurança nacional. Relatos de ataques aéreos misteriosos e sabotagens a carregamentos de armas no porto de Mukalla confirmam o pior: a guerra fria aqueceu, e o confronto direto por interpostos grupos é agora uma realidade.
2. O Que Está Realmente em Jogo?
Não é apenas areia e montanhas. É o controlo das artérias do comércio mundial:
O Sonho do Oleoduto vs. O Império dos Portos: A Arábia Saudita quer um corredor seguro para o seu petróleo através de Al-Mahra, fugindo ao Estreito de Ormuz. Os Emirados, por sua vez, querem fechar o cerco costeiro para dominar a rota marítima do Mar Vermelho ao Índico.
Unidade ou Fragmentação: Riade precisa de um vizinho estável. Abu Dhabi aposta num Iémen fragmentado, onde possa controlar "pequenos estados" dóceis no sul.
3. O Efeito Dominó: O Impacto na Região (MENA)
O choque entre os dois gigantes do Golfo envia ondas de choque por toda a região:
O Fim da Unidade do Golfo: O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) enfrenta o seu teste mais duro. A rivalidade económica transformou-se em conflito militar, enfraquecendo a voz árabe nos palcos internacionais.
O Presente para o Irão: Enquanto os "irmãos" lutam entre si no sul, os Houthis (apoiados por Teerão) observam e fortalecem-se no norte. O caos no campo adversário é a oportunidade perfeita para o Irão consolidar a sua influência sem disparar um único tiro.
O Pesadelo do Mar Vermelho: A instabilidade transborda para o Corno de África (Somália, Djibuti, Sudão). A militarização das rotas comerciais coloca em risco a segurança energética global, transformando o Bab-el-Mandeb num barril de pólvora pronto a explodir.
Conclusão:
"Em 2026, o Iémen deixou de ser apenas uma guerra civil para se tornar o palco de um duelo de titãs. A questão que paira sobre o deserto já não é quem vencerá os Houthis, mas sim quem reinará sobre as ruínas da Arábia Feliz. O silêncio diplomático acabou; a batalha pelo futuro do Golfo começou.
