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El-Madkouri sublinha as dimensões políticas e institucionais da CAN

Rabat, 22 de janeiro de 2026 (MENA24)- Numa entrevista ao site mrooquino Mares30 (em espanhol), o investigador marroquino Mohamed El-Madkouri, professor na Universidade Autónoma de Madrid, apresentou uma análise aprofundada da recente Taça Africana das Nações (CAN), defendendo que o torneio ultrapassou claramente a dimensão desportiva para se afirmar como um espaço de cruzamento entre política, segurança e disputa de poder no continente africano. El-Madkouri afirmou que a CAN revelou fragilidades estruturais na governação do futebol africano, evidenciadas por controvérsias institucionais, contestação das decisões arbitrais e uma crescente instrumentalização política do desporto. Segundo o investigador, o futebol africano tornou-se um reflexo direto das tensões em torno da liderança e da legitimidade entre os Estados do continente. O académico destacou que Marrocos utilizou a organização da competição como um instrumento de poder brando, projetando a imagem de um Estado eficaz, estável e capaz de garantir infraestruturas modernas, logística eficiente e um elevado nível de segurança. Acrescentou que esta opção se inscreve numa estratégia de longo prazo, na qual o desporto é concebido como vetor de projeção internacional e afirmação geopolítica, sobretudo à luz da futura Copa do Mundo, que o país irá coorganizar. Referindo-se ao episódio envolvendo o selecionador do Senegal, que ordenou a retirada da equipa do relvado em protesto contra uma decisão arbitral, El-Madkouri sublinhou que o incidente abriu um debate sensível sobre os limites do protesto institucional no desporto, a autoridade da arbitragem e a necessidade de preservar a disciplina competitiva. Observou ainda que a CAF enfrenta um teste crucial para proteger a credibilidade da competição, enquanto o acompanhamento atento da UEFA revela o receio de criação de precedentes a nível internacional. O investigador salientou igualmente que a CAN constituiu uma prova silenciosa em matéria de segurança, num continente marcado por ameaças transnacionais e tensões sociais. Para El-Madkouri, Marrocos integrou a segurança na sua narrativa política, transformando-a num ativo simbólico e político, diretamente associado à credibilidade internacional do Estado anfitrião. No que diz respeito às suspeitas e rumores de corrupção, o académico explicou que, apesar da ausência de provas concretas, a sua circulação revela uma crise estrutural de confiança nas instituições do futebol africano, historicamente afetadas por opacidade e politização. Nesse contexto, Marrocos surge menos como exceção e mais como símbolo visível do poder, frequentemente alvo de desconfiança. El-Madkouri concluiu que a Taça Africana das Nações confirmou o futebol africano como um campo de batalha simbólico onde se disputam liderança regional, prestígio internacional e influência política. Países como Marrocos, Senegal, Argélia, Nigéria e Egito, afirmou, competem hoje não apenas por títulos, mas por hegemonia simbólica no continente. A análise termina com uma questão central: estará África preparada não só para competir ao mais alto nível, mas também para organizar, governar, liderar e respeitar as regras do sistema desportivo global? Para o investigador, a CAN oferece uma resposta ambivalente, marcada por ambição crescente, capacidades reais e profundas contradições estruturais.