Apenas seis dias após a operação militar norte-americana que abalou o mundo e levou à detenção do ex-líder venezuelano, um novo mistério diplomático instala-se: estará a nova presidente interina a negociar diretamente com a Casa Branca?
Caracas, Venezuela (9 de Janeiro de 2026) – A Venezuela vive dias de cortar à faca. Enquanto o país ainda tenta processar o choque sísmico dos eventos de 3 de janeiro – quando forças dos EUA lançaram uma operação em larga escala que culminou na detenção e transferência de Nicolás Maduro para Nova Iorque –, os corredores do poder em Caracas foram inundados por rumores de uma reviravolta impensável.
A imprensa internacional avançou que a nova presidente interina, Delcy Rodríguez, estaria a preparar as malas para uma viagem de alto risco ao "coração do império": Washington D.C.
O Desmentido Oficial
Perante o alarido, o Palácio de Miraflores agiu rapidamente para travar a especulação. Alfred Nasiri Ñánez, vice-presidente para a Comunicação, usou o seu canal de Telegram para emitir um desmentido categórico, tentando dissipar a imagem de que o novo governo estaria a correr para os braços de quem acabara de derrubar o seu antecessor.
"A presidente interina Delcy Rodríguez não planeia viajar para o estrangeiro em breve", declarou Ñánez, sublinhando que o foco total do governo está na "agenda interna" para tentar segurar a frágil "paz e estabilidade" nas ruas venezuelanas.
A "Bomba" do Jornal ABC
O desmentido de Caracas surge em resposta direta a uma notícia explosiva do jornal espanhol ABC, publicada na passada sexta-feira. Citando fontes do governo norte-americano, o jornal garantiu que Rodríguez tinha solicitado autorização para aterrar em Washington já na próxima terça-feira, num voo diplomático.
Mais do que uma visita de cortesia, a ABC alegou que a agenda incluía "uma série de reuniões políticas na capital, incluindo uma visita à Casa Branca". Se verdade, seria uma mudança tectónica na postura da Venezuela poucos dias após o que Caracas cla
ssifica como um "sequestro" do seu líder histórico.
Negociações Secretas no Meio do Caos?
O fumo adensa-se com a confirmação de que, na própria sexta-feira, uma delegação do Departamento de Estado dos EUA esteve fisicamente em Caracas. O objetivo oficial era "avaliar a possibilidade de retomar as operações das missões diplomáticas".
O Ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Iván Gil, tentou enquadrar esta presença americana como uma "operação diplomática piloto" para lidar com as consequências da "agressão" americana. No entanto, para muitos observadores, a presença de oficiais dos EUA em solo venezuelano tão pouco tempo após o ataque de 3 de janeiro sugere que canais de comunicação urgentes e secretos estão abertos.
Enquanto Delcy Rodríguez tenta consolidar o seu poder interno, o espectro de Nicolás Maduro – agora a aguardar julgamento em Nova Iorque sob acusações de "narcoterrorismo" que ele nega – continua a ditar o complexo e perigoso xadrez político da Venezuela.
