Mundo em ruptura: alerta da imprensa internacional
Rabat, 25 de janeiro de 2026 (MENA24) – Segundo uma análise publicada na newsletter do site Al Jazeera Net, a imprensa internacional tem destacado, nos últimos dias, profundas transformações geopolíticas que estão a redesenhar o equilíbrio global, com foco particular no futuro da NATO, nas tensões entre os Estados Unidos, a Europa, o Irão e Israel, bem como nas incertezas que envolvem a reconstrução da Faixa de Gaza.
NATO sob pressão histórica
De acordo com um artigo citado pelo The New York Times, as atuais convulsões geopolíticas colocam a Aliança Atlântica perante um momento decisivo. As posições expressas recentemente no Fórum Económico Mundial de Davos reforçam a ideia de que “o dano já ocorreu” e de que o sistema internacional entrou numa fase de mudanças irreversíveis.
Ainda segundo o jornal, apesar de um eventual enfraquecimento gradual da NATO, a Europa dispõe hoje de capacidades e de vontade política para assumir maior responsabilidade pela sua própria segurança, algo que ficou evidente na coordenação demonstrada pelos líderes europeus em Davos.
No mesmo contexto, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a criticar os aliados europeus, acusando-os de não reconhecerem devidamente o esforço financeiro dos Estados Unidos no seio da Aliança.
Israel e Irão: uma trégua frágil
A revista Foreign Policy, citada pela Al Jazeera Net, considera que a atual contenção entre Israel e o Irão é apenas temporária. A análise sublinha que não se trata de uma mudança estrutural no conflito, mas de uma pausa tática, resultante de limitações militares e estratégicas israelitas após os confrontos recentes.
As dúvidas quanto à eficácia de ataques aéreos de longo alcance contra o regime iraniano e o desgaste das defesas aéreas de Israel poderão adiar um confronto direto, sem contudo eliminá-lo do horizonte estratégico.
Gaza: reconstrução incerta
Segundo o Financial Times, também referido pela Al Jazeera Net, o cenário para a recuperação económica de Gaza permanece pouco animador. O jornal britânico aponta um contraste evidente entre os projetos ambiciosos apresentados por Jared Kushner, conselheiro e genro do presidente dos EUA, e a dura realidade vivida no terreno.
Embora tenha sido anunciado um plano de reconstrução em várias fases, com investimentos superiores a 25 mil milhões de dólares até 2035, o diário destaca que a prioridade imediata continua a ser humanitária: assegurar alimentos, cuidados médicos e abrigo para uma população maioritariamente deslocada.
O Financial Times observa ainda que as reservas manifestadas por várias potências em relação ao chamado “Conselho da Paz” não constituem um sinal encorajador para melhorias rápidas na situação dos habitantes de Gaza.
