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​Nova Arquitetura de Segurança: EAU e Índia Assinam Pacto de Defesa Enquanto Israel Procura Pivô Estratégico


 19 de janeiro de 2026 | MENA24.COM 

Nova Deli/Telavive – O cenário geopolítico do Médio Oriente e da Ásia Meridional sofreu hoje uma reconfiguração significativa. Durante a visita oficial do Presidente dos Emirados Árabes Unidos, o Xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan (MBZ), à Índia, esta segunda-feira, as duas nações anunciaram um acordo histórico de cooperação estratégica e de defesa. O movimento ocorre a par de relatos sobre uma ofensiva diplomática de Israel para consolidar uma aliança trilateral, na sequência do congelamento das negociações com a Arábia Saudita.

O Pacto EAU-Índia

​Segundo o jornal The Times of India, a visita de MBZ a Nova Deli saldou-se na assinatura de uma carta de intenções para um "Acordo-Quadro de Parceria Estratégica de Defesa". Este entendimento visa expandir a colaboração na indústria militar, operações especiais, segurança cibernética e interoperabilidade entre as forças armadas das duas nações.

​Para além da vertente militar, a dimensão económica saiu amplamente reforçada. De acordo com o The Tribune, os líderes estabeleceram a meta ambiciosa de duplicar o comércio bilateral para os 200 mil milhões de dólares (cerca de 185 mil milhões de euros) até 2032. O pacote de acordos incluiu ainda um contrato de fornecimento de GNL de longo prazo (da ADNOC para a indiana HPCL) e memorandos inéditos sobre cooperação nuclear civil e tecnologias espaciais.

​"A parceria evoluiu para uma aliança orientada para o futuro, ancorada na confiança e em interesses de segurança partilhados", declarou o Primeiro-Ministro indiano, Narendra Modi, na receção ao líder emiradense.

​O Pivô Israelita e o "Plano B" de Netanyahu

​Enquanto Nova Deli e Abu Dhabi celebram o aprofundamento dos laços, a imprensa israelita destaca uma iniciativa paralela por parte do governo de Benjamin Netanyahu. Face ao impasse nas negociações de normalização com a Arábia Saudita — estagnadas devido à guerra em Gaza e à recusa do governo israelita em aceitar um caminho para o Estado palestiniano —, Israel procura replicar o modelo de sucesso dos Acordos de Abraão com parceiros extra-regionais de peso.

​Analistas de segurança em Telavive sugerem que Netanyahu vê na Índia um parceiro indispensável para a segurança económica e de defesa, capaz de compensar o isolamento regional imposto pelo bloco saudita. A estratégia visa integrar Israel nas rotas comerciais e de segurança que ligam o Golfo à Ásia, contornando a necessidade imediata da "bênção" de Riade.

A Formação de Novos Eixos

​Este realinhamento vem reforçar a tese, amplamente debatida nos círculos diplomáticos internacionais, da consolidação de dois eixos geopolíticos concorrentes na região:

​O Eixo Indo-Abraâmico (Israel/Índia/EAU): Focado na tecnologia, defesa antimíssil, contraterrorismo e corredores económicos (como o Corredor IMEC). Este grupo conta com o apoio tácito dos Estados Unidos e privilegia o pragmatismo económico e a segurança face a ameaças comuns, nomeadamente a influência iraniana e a instabilidade regional.

​O Bloco Islâmico Tradicional (Arábia Saudita/Paquistão/Turquia): Embora com as suas próprias fricções internas, este eixo tem procurado reafirmar a liderança saudita no mundo islâmico, mantendo uma postura mais crítica em relação às políticas de Israel nos territórios palestinianos e reforçando a cooperação militar intra-islâmica.

​De acordo com o Middle East Online, a visita de hoje acontece num momento de "tensões latentes" entre a Arábia Saudita e os EAU sobre questões regionais (como o Iémen e as quotas de produção de petróleo), o que empurra Abu Dhabi para uma política externa cada vez mais autónoma e global, tendo a Índia como pilar central.

​Conclusão

​O acordo firmado hoje em Nova Deli não é apenas um marco bilateral, mas um sinal claro de que os EAU estão a diversificar a sua segurança para além do "chapéu de chuva" norte-americano e da vizinhança árabe imediata. Para Israel, a consolidação deste eixo com a Índia e os EAU representa uma tábua de salvação estratégica vital, oferecendo profundidade estratégica e económica num momento de incerteza diplomática na região