37 de janeiro de 2025 | MENA24.COM
Numa viragem dramática que reflete a profundidade do abismo que separa atualmente a Argélia de França, influentes jornais argelinos — com destaque para o "El Khabar", próximo dos círculos de decisão — lançaram um ataque sincronizado sob um título comum, alertando que "as relações argelino-francesas estão à beira da rutura". Esta escalada mediática, descrita pelos observadores como um "comunicado número um" que antecede medidas diplomáticas formais, não surgiu do nada. É, antes, o culminar de um longo processo de desavenças, tanto silenciosas como públicas, que esgotaram a paciência da liderança argelina, prenunciando um "inverno diplomático" rigoroso que poderá destruir as restantes pontes de comunicação entre os dois países.
As análises e os relatórios das mesmas fontes mediáticas indicam que o ponto nevrálgico — a "mãe de todas as batalhas" diplomáticas — que detonou a situação está fundamentalmente ligado à questão do Sara Ocidental. Fugas de informação divulgadas pela imprensa argelina sugerem que Paris se prepara para uma mudança radical na sua posição, passando a apoiar o plano de autonomia marroquino como a "única base" para a resolução do conflito. Argel considera este passo uma "traição" e uma violação das linhas vermelhas tradicionais da diplomacia francesa, que historicamente mantinha um certo equilíbrio. Os editoriais sublinham que a Argélia já não aceita a dualidade de critérios de França, estabelecendo uma ligação direta entre a aproximação acelerada entre Paris e Rabat (Marrocos) e a deterioração das relações com Argel. O aviso é claro: qualquer movimento francês de apoio a Marrocos neste dossier terá uma resposta argelina "imediata e firme".
Para além deste dossier geopolítico inflamável, outros fatores convergem para aprofundar o fosso, com destaque para o complexo dossier da "Memória" colonial. Apesar da criação de comissões conjuntas de historiadores, o lado argelino — tal como sugerido anteriormente pelo Presidente Abdelmadjid Tebboune e noticiado pela agência estatal — sente-se desiludido com a "procrastinação francesa" na entrega dos arquivos do período colonial e no reconhecimento total dos crimes do passado, além da recusa de Paris em apresentar um pedido de desculpas oficial.
A somar a isto, as tensões relacionadas com a imigração e a concessão de vistos, bem como as intervenções militares francesas na região do Sahel africano — que a Argélia vê como uma ameaça à sua segurança nacional — lançam sombras pesadas sobre o cenário. Tudo isto torna a "rutura iminente" uma consequência inevitável do fracasso acumulado do Presidente Emmanuel Macron em cumprir as promessas de "resolver os problemas" com a margem sul do Mediterrâneo.
