Ancara / Damasco – A situação no norte da Síria sofreu uma reviravolta estratégica nas últimas horas. Enquanto a província de Alepo continua a ser palco de intensos confrontos e instabilidade crónica, surge um sinal claro de realinhamento nas alianças regionais que poderá redefinir o mapa do conflito que dura há mais de uma década.
O Contexto em Alepo
A cidade de Alepo e os seus arredores rurais têm enfrentado, nas últimas semanas, um ressurgimento da violência armada, com grupos classificados como terroristas a tentarem desestabilizar as linhas de controlo governamentais. A segurança nesta região estratégica, vital para a economia e estabilidade da Síria, tornou-se o foco de uma nova ofensiva por parte do exército sírio, visando erradicar bolsas de resistência extremista que ameaçam tanto a população civil como as rotas comerciais vitais.
A Posição de Ancara
Numa declaração que rompe com anos de retórica hostil, a Turquia manifestou oficialmente o seu apoio às operações do governo sírio. O Ministro da Defesa turco, Yaşar Güler, surpreendeu a comunidade internacional ao saudar a ofensiva de Damasco contra o terrorismo em Alepo.
Güler foi perentório ao afirmar que a Turquia considera a estabilidade do seu vizinho do sul como uma prioridade doméstica: "A segurança da Síria é parte integrante e indissociável da segurança da Turquia", declarou o governante.
Análise Geopolítica
Analistas internacionais ouvidos pelo MENA24 interpretam esta declaração como um passo decisivo no processo de normalização entre Ancara e Damasco. A convergência de interesses parece agora focar-se num inimigo comum: o terrorismo transfronteiriço. Para a Turquia, qualquer vácuo de poder em Alepo poderia ser explorado por milícias curdas (que Ancara considera uma extensão do PKK) ou por grupos jihadistas incontroláveis, ambos vistos como ameaças diretas à segurança nacional turca.
Este apoio público de Ancara à operação de Damasco sinaliza que os dois países poderão estar a coordenar esforços, mediadas possivelmente pela Rússia, para assegurar que a fronteira partilhada deixe de ser uma zona de conflito e passe a ser uma linha de cooperação de segurança.
Fique atento ao MENA24 para atualizações contínuas sobre os desenvolvimentos militares e diplomáticos na fronteira sírio-turca.
