18 de janeiro de 2026 | MENA24.COM
O especialista Moshe Elad, no jornal Maariv, alerta que o controle dos recursos energéticos pelo novo governo em Damasco marca o fim da fragmentação síria e o nascimento de um vizinho economicamente autônomo.
A recente consolidação do controle das forças do novo governo sírio sobre os campos de petróleo estratégicos na província de Deir ez-Zor – nomeadamente os campos de Al-Omar e Al-Tanak – gerou ondas de preocupação e análise profunda nos círculos de segurança de Tel Aviv.
Em um artigo analítico publicado no jornal israelense "Maariv", o especialista em Oriente Médio, Moshe Elad, oferece uma leitura sóbria desta nova realidade. Segundo Elad, o evento transcende a conquista territorial; trata-se de uma mudança tectônica no equilíbrio de poder regional pós-Assad.
O "Oxigênio" para a Nova Damasco
A análise israelense destaca que a recuperação destes recursos não é apenas simbólica. Durante anos, a privação de recursos energéticos foi o que manteve a Síria de joelhos.
"O fluxo de petróleo de Deir ez-Zor para as refinarias centrais é como injetar oxigênio num corpo que estava sufocado," observa a análise. Para Israel, isso significa que a nova liderança síria obteve a sua "certidão de nascimento econômica", garantindo recursos para a reconstrução e para o fortalecimento militar sem depender excessivamente de ajuda externa condicionada.
O Fim da "Carta Curda"
Elad aponta para um perdedor claro nesta equação: as forças curdas e o projeto de autonomia no leste do Eufrates. A leitura israelense sugere que a perda dos campos de petróleo retira dos curdos a sua principal alavanca de negociação.
"Os curdos foram deixados à própria sorte novamente. Sem o petróleo, perdem a capacidade de forçar Damasco à mesa de negociações," afirma o texto. Para Israel, isso sinaliza o fim da "zona tampão" que mantinha a Síria dividida e o exército central longe de certas fronteiras.
De Estado Falido a Potência em Ascensão
Talvez o ponto mais crítico levantado no Maariv seja a mudança na percepção de ameaça. Israel, que se habituou a uma Síria fragmentada e enfraquecida pela guerra civil, observa agora o surgimento de um Estado unificado sob uma nova governança sunita que busca soberania total.
A conclusão de Elad é um aviso ao establishment de segurança israelense: a estabilidade econômica proporcionada pelo petróleo pode transformar a Síria de um vizinho caótico em um Estado com ambições regionais renovadas e capacidade financeira para as sustentar.
