Também gosto

Últimas

Xeque-mate no Mar Vermelho: Arábia Saudita Forja Nova Aliança Militar com Egito e Somália para Conter Influência dos Emirados

 


16 de Janeiro de 2026 - MENA24.COM

​A paisagem geopolítica do Médio Oriente e do Corno de África está prestes a sofrer uma mudança significativa. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a Arábia Saudita está a ultimar os preparativos para um novo e abrangente acordo de aliança militar com a Somália e o Egito. Este movimento estratégico, mais do que uma simples cooperação de defesa, é descrito por analistas como um esforço calculado de Riade para limitar a influência regional dos seus vizinhos e aliados nominais, os Emirados Árabes Unidos (EAU).

​Esta nova aliança trilateral sublinha a crescente competição "silenciosa" entre as duas potências do Golfo – Arábia Saudita e EAU – pela supremacia económica e política na região alargada, que se estende desde o Iémen até à costa africana do Mar Vermelho.

​A Competição pelo Corno de África

​Embora Riade e Abu Dhabi mantenham uma aliança estreita em muitas frentes globais, os seus interesses têm divergido frequentemente em teatros regionais chave. Os EAU têm investido agressivamente no Corno de África na última década, estabelecendo bases militares, gerindo portos estratégicos (notavelmente através da DP World) e cultivando laços políticos fortes com vários atores na região, por vezes à custa do governo central da Somália em Mogadíscio.

​A Arábia Saudita, sob a liderança do Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman, procura reafirmar o seu papel como líder incontestável do mundo árabe e sunita. O estabelecimento de um pacto militar direto com duas nações chave do Mar Vermelho envia uma mensagem clara de que Riade pretende ser o principal árbitro de segurança na região.

​O Fator Somália: Um Escudo Contra a Etiópia

​Para a Somália, este acordo chega num momento crucial. O governo federal em Mogadíscio está envolvido numa disputa diplomática feroz com a vizinha Etiópia. A recente aproximação da Etiópia à região separatista da Somalilândia, em busca de acesso ao mar, foi vista por Mogadíscio como uma violação direta da sua soberania e integridade territorial.

​Ao aliar-se militarmente à Arábia Saudita e ao Egito, a Somália ganha um poderoso apoio dissuasor contra Adis Abeba. Este pacto oferece a Mogadíscio não apenas potencial ajuda militar, mas também uma legitimidade política renovada apoiada pelas principais potências árabes.

​O Interesse do Egito: O Cerco do Nilo

​Para o Egito, a lógica é igualmente clara e está ligada à sua segurança existencial: a água. O Cairo mantém uma disputa de longa data com a Etiópia sobre a Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD), que o Egito vê como uma ameaça ao seu abastecimento de água do Nilo.

​A estratégia do Cairo tem passado por fortalecer laços com os vizinhos da Etiópia para criar pressão diplomática e de segurança sobre Adis Abeba. Uma aliança militar formal com a Somália, apoiada pelo peso financeiro e político da Arábia Saudita, serve perfeitamente os interesses egípcios de "cercar" a influência etíope na região.

​Implicações para o Mar Vermelho

​A formalização deste pacto trilateral poderá redefinir a arquitetura de segurança do Mar Vermelho, uma via navegável vital para o comércio global e a segurança energética. Com o Iémen ainda instável na margem oriental e o Corno de África volátil na margem ocidental, a Arábia Saudita procura garantir que as chaves de segurança desta rota permaneçam firmemente nas mãos de uma coligação liderada por si, reduzindo o espaço de manobra para outros atores regionais e internacionais.

​Fonte: Baseado em reportagem da Bloomberg.