Cimeira da União Africana coloca a água no centro das prioridades continentais
Rabat, 10 de fevereiro de 2026 (MENA24)– A questão da água assume um lugar central na agenda da 39.ª Cimeira da União Africana, que reunirá os Chefes de Estado e de Governo africanos no próximo fim de semana, na capital etíope, num contexto marcado pelo agravamento dos impactos das alterações climáticas no continente.
Para o ano de 2026, a União Africana definiu como tema prioritário a garantia do acesso sustentável à água potável e aos serviços de saneamento, alinhando esta escolha com os objetivos estratégicos da Agenda 2063 e com as exigências de desenvolvimento inclusivo e resiliente.
A escolha deste tema reflete a crescente preocupação com a pressão exercida sobre os recursos hídricos africanos, num cenário caracterizado pelo aumento da procura de água, pela rápida urbanização e pela maior frequência de fenómenos climáticos extremos.
Estes fatores têm repercussões diretas na segurança alimentar, na saúde pública e na estabilidade socioeconómica de vários países africanos.
A cimeira deverá destacar a necessidade de uma gestão racional e sustentável da água, promovendo soluções adaptadas às realidades regionais africanas, bem como iniciativas inovadoras capazes de reforçar a resiliência das comunidades face à escassez hídrica.
Paralelamente às questões ambientais e de desenvolvimento, os líderes africanos irão também debruçar-se sobre dossiers relacionados com a paz e a segurança, procurando respostas concertadas para os conflitos e crises persistentes em diferentes regiões do continente.
Antes da cimeira, terá lugar a 48.ª sessão ordinária do Conselho Executivo da União Africana, nos dias 11 e 12 de fevereiro, com a participação dos ministros africanos dos Negócios Estrangeiros.
Esta reunião preparatória analisará relatórios institucionais, a participação da União Africana em fóruns internacionais, incluindo o G20, bem como processos eleitorais internos, questões de governação e projetos de instrumentos jurídicos.
A 39.ª Cimeira da União Africana surge, assim, como uma oportunidade estratégica para consolidar a água enquanto eixo estruturante das políticas de desenvolvimento em África, através da definição de uma visão comum e de uma folha de rota para a gestão sustentável deste recurso vital.
