Rabat, 08 de fevereiro de 2026(MENA24)-As crises e catástrofes naturais, sempre que atingem alguma região de Marrocos, revelam traços profundamente enraizados de solidariedade social que caracterizam a sociedade marroquina ao longo da sua história. Perante qualquer desastre excecional, forma-se uma consciência coletiva que impulsiona indivíduos e grupos à ação, onde o sentimento humano se alia ao compromisso prático, refletindo um elevado grau de coesão social e capacidade de mobilização em momentos difíceis.
O sismo de Al Haouz constituiu um exemplo marcante desse comportamento. Cidadãos provenientes de diferentes regiões do país deslocaram-se, sem considerar distâncias ou pertenças geográficas, para prestar ajuda às populações afetadas. As estradas transformaram-se em verdadeiras pontes de solidariedade, multiplicaram-se as iniciativas espontâneas de fornecimento de bens essenciais, acolhimento dos desalojados e apoio às equipas de socorro, num claro reflexo de responsabilidade coletiva.
O mesmo cenário repetiu-se durante as inundações de Ksar El Kebir, quando organizações da sociedade civil, juntamente com cidadãos comuns, se mobilizaram rapidamente para organizar ações de apoio e socorro, tanto no terreno como através das plataformas digitais. Esta reação célere não se limitou a um impulso emocional, mas traduziu uma cultura de solidariedade profundamente enraizada, que evolui da espontaneidade para formas organizadas e coordenadas de intervenção humanitária.
Esta solidariedade marroquina retira a sua singularidade de uma referência ética e cultural sólida, que não se baseia em vínculos tribais ou regionais, mas em valores humanos universais que encaram a ajuda ao necessitado como um dever coletivo. O cidadão marroquino, dentro ou fora do país, transporta consigo esses valores e concretiza-os em ações sempre que as circunstâncias o exigem, fazendo da solidariedade parte integrante da identidade nacional.
Apesar da dor e das perdas causadas pelas catástrofes, estas revelam, em contrapartida, a força da sociedade e a sua capacidade de resiliência. A solidariedade transforma-se num fator de tranquilidade psicológica, numa fonte de esperança para os afetados e numa prova de que a coesão social constitui um dos pilares da estabilidade em Marrocos.
Assim, as experiências do sismo de Al Haouz e das inundações de Ksar El Kebir confirmam que, nos momentos de maior dificuldade, Marrocos encontra na solidariedade dos seus cidadãos o seu verdadeiro suporte.
Crises e catástrofes revelam o espírito de solidariedade marroquino
Mohamed Ouahmane - Jornalista e investigador em estudos Hispano-lusófonos e diálogo inter-religioso
