04 de Fevereiro de 2026 | MENA24.COM
A região do extremo noroeste de África, juntamente com a Península Ibérica e o sul de França, enfrenta atualmente um cenário de instabilidade atmosférica severa, marcado por uma sucessão de perturbações ativas que têm gerado precipitação contínua, intensa e localmente acompanhada de trovoadas. A Direção-Geral da Meteorologia (DGM) emitiu um esclarecimento técnico para contextualizar este fenómeno, revelando que o Reino de Marrocos — com especial incidência nas zonas do norte — se encontra sob a influência da denominada "Depressão Leonardo". A autoridade meteorológica sublinhou a importância de distinguir este evento de uma tempestade clássica, classificando-o tecnicamente como uma depressão atmosférica complexa que está a moldar o estado do tempo em várias regiões do Mediterrâneo Ocidental.
A génese desta instabilidade resulta de uma dinâmica atmosférica particular, caracterizada pelo confronto entre massas de ar com propriedades opostas: de um lado, correntes frias de origem polar provenientes da América do Norte e, do outro, massas de ar quente e húmido de origem subtropical. Este choque térmico e de humidade atua como um catalisador para a Corrente de Jato (Jet Stream), reforçando a sua intensidade e facilitando o transporte de grandes volumes de vapor de água em direção à Europa Ocidental e ao Magrebe. É este "rio atmosférico" que tem alimentado as chuvas persistentes, saturando os solos e sobrecarregando as bacias hidrográficas da região, num padrão que exige monitorização constante por parte das autoridades competentes.
As consequências deste episódio meteorológico traduziram-se em cheias significativas no norte de Marrocos, onde a precipitação excessiva provocou o aumento crítico dos caudais dos rios e o consequente alagamento de áreas habitacionais e agrícolas. As notícias mais recentes dão conta de uma situação particularmente delicada na província de Larache, onde a subida das águas do rio Loukkos e a necessidade de realizar descargas de emergência na barragem de Oued El Makhazine forçaram a evacuação preventiva de milhares de habitantes na região de Alcácer-Quibir. As autoridades locais, apoiadas pelo exército e pela proteção civil, mobilizaram-se rapidamente para responder à emergência, retirando populações de zonas de risco e monitorizando o nível das águas, que isolaram temporariamente diversas infraestruturas, evidenciando a severidade do impacto da Depressão Leonardo no território
