Por seu lado, o governo japonês sublinha que o reforço das suas capacidades defensivas se insere na proteção da soberania nacional e na preservação da estabilidade regional, face ao que considera tentativas crescentes de alterar o statu quo pela força no Mar da China Oriental e Meridional.
Japão prevê instalar mísseis numa ilha próxima de Taiwan até 2031
Tóquio, 24 de fevereiro 2026 (MENA24)- O governo japonês anunciou a intenção de instalar sistemas de mísseis terra-ar numa das suas ilhas ocidentais remotas, situadas nas proximidades de Taiwan, no horizonte do ano fiscal de 2030, que termina em março de 2031. A medida visa reforçar as capacidades defensivas do país na região.
Em conferência de imprensa realizada esta terça-feira na capital, Tóquio, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, explicou que o destacamento dos mísseis terá lugar na ilha de Yonaguni, que acolhe uma base militar japonesa e se encontra a cerca de 110 quilómetros a leste de Taiwan.
Trata-se da primeira vez que é oficialmente indicado um calendário para a execução deste plano, revelado inicialmente pelo Ministério da Defesa em 2022, no âmbito de uma revisão abrangente das políticas de defesa do Japão, com especial enfoque nas ilhas do sudoeste.
Koizumi acrescentou que o ministério pretende organizar, já na próxima semana, encontros informativos com os habitantes da ilha, a fim de esclarecer a natureza do projeto e as suas implicações. Yonaguni situa-se a aproximadamente 1.900 quilómetros a sudoeste de Tóquio.
Esta orientação surge num contexto de tensões persistentes entre o Japão e a China, intensificadas após Pequim ter anunciado, na terça-feira, restrições às exportações de várias empresas japonesas, alegando a sua contribuição para o reforço das capacidades militares de Tóquio.
Em declarações anteriores, feitas em novembro passado, a então primeira-ministra japonesa de orientação conservadora, Sanae Takaichi, havia sugerido a possibilidade de uma intervenção militar do Japão caso Taiwan fosse alvo de um ataque, o que provocou fortes críticas por parte de Pequim.
A China considera Taiwan parte integrante do seu território e não exclui o recurso à força para a sua reunificação, num contexto marcado por uma escalada de atividades militares e de trocas de declarações na região.
Neste quadro, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, apelou à prudência durante a sua participação na Conferência de Segurança de Munique, alertando para o que descreveu como tentativas, por parte de alguns setores no Japão, de “reviver o militarismo”.
