17 de fevereiro de 2026 (MENA24)
"Não é apenas futebol, é uma afirmação de poder luso nas areias da Arábia. Com o ‘mestre’ Jorge Jesus a liderar o Al-Hilal e o ‘capitão’ Cristiano Ronaldo a brilhar no Al-Nassr, o campeonato saudita transformou-se num duelo doméstico à escala global. Analisamos como estas duas lendas estão a redefinir a imagem de Portugal no Médio Oriente e quem está a ganhar esta batalha de titãs."
A milhares de quilómetros de Lisboa, sob o calor impiedoso de Riade, joga-se um dos mais apaixonantes capítulos da história recente do futebol português. Mas não é a Primeira Liga que está em disputa, nem a Liga dos Campeões da Europa. É a Roshn Saudi League, uma competição que, graças ao investimento astronómico e à ambição saudita, se tornou o improvável teatro de operações para dois dos maiores ícones de Portugal: Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo.
O que começou como uma curiosidade exótica transformou-se numa batalha de hegemonia. De um lado, o Al-Hilal, uma máquina tática irrepreensível moldada à imagem do "Mister". Do outro, o Al-Nassr, impulsionado pela vontade de ferro e pelos golos do maior artilheiro da história.
O "Mestre" e a Máquina de Vencer
Jorge Jesus chegou à Arábia Saudita (nesta sua segunda passagem) com uma missão clara: dominância total. E o que ele construiu no Al-Hilal roça a perfeição desportiva.
Jesus não se limitou a gerir estrelas; ele criou um sistema. Com jogadores como Mitrović, Milinković-Savić e Rúben Neves (outro pilar luso fundamental), o técnico da Amadora implementou o seu característico futebol de pressão alta e intensidade vertiginosa.
- O Recorde Mundial: O ponto alto desta afirmação foi a conquista do recorde mundial do Guiness para o maior número de vitórias consecutivas no futebol masculino.
- A Supremacia Tática: Enquanto outros clubes dependem de individualidades, o Al-Hilal de Jesus vence pelo coletivo. A equipa move-se como um bloco único, sufocando adversários e transformando clássicos em demonstrações de força.
Para Jesus, a Arábia não é um retiro dourado; é mais um palco para provar que a sua metodologia é vencedora em qualquer latitude.
O "Capitão" e a Revolução Cultural
Se Jorge Jesus trouxe a organização, Cristiano Ronaldo trouxe os olhos do mundo. A sua chegada ao Al-Nassr foi o "Big Bang" do projeto saudita. Sem Ronaldo, a liga não teria a constelação de estrelas que tem hoje.
Aos 39 anos, a voracidade de CR7 permanece intacta. Ele não foi para Riade para passear.
- Números de Elite: Ronaldo continua a quebrar recordes de golos, sagrando-se o melhor marcador da liga e do ano civil, desafiando a lógica da idade.
- Liderança Solitária: Ao contrário da máquina bem oleada do rival, o Al-Nassr depende visceralmente da inspiração do seu capitão. Ronaldo carrega a equipa, gesticula, exige e, muitas vezes, resolve.
Ronaldo é a face da liga, o embaixador global que validou o campeonato, mas a sua fome competitiva exige mais do que marketing: ele quer títulos.
O Duelo Direto: Quem Está a Ganhar?
Quando o Al-Hilal e o Al-Nassr se encontram, Portugal para. É o duelo entre a Estratégia (Jesus) e a Vontade (Ronaldo).
Até ao momento, a balança pende inegavelmente para o lado do treinador.
- Títulos: Jorge Jesus tem levado a melhor nos troféus, conquistando a Liga e a Taça, muitas vezes deixando Ronaldo e o Al-Nassr num frustrante segundo lugar.
- Confronto Direto: Nos dérbis de Riade, a organização tática do Al-Hilal tem conseguido anular, na maioria das vezes, o ímpeto individual do Al-Nassr. Vimos um Ronaldo muitas vezes isolado contra uma defesa que conhece cada movimento seu.
No entanto, na batalha mediática e estatística individual, Ronaldo continua num patamar próprio. Ele vence a guerra da popularidade e dos números pessoais, mas perde, por enquanto, a guerra da prataria.
A Vitória Final é de Portugal
Independentemente de quem levanta a taça no final da época, há um vencedor claro: o futebol português.
A Arábia Saudita fala hoje a língua de Camões. Além de Jesus e Ronaldo, temos Rúben Neves a ditar o ritmo no meio-campo do campeão, Otávio a correr quilómetros pelo Al-Nassr, e treinadores como Luís Castro (que também deixou a sua marca) e Vítor Pereira a elevarem o nível tático da liga.
Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo, com as suas personalidades vulcânicas e talentos inegáveis, provaram que a qualidade lusa não conhece fronteiras. Eles transformaram o deserto num palco de glória, onde cada golo e cada vitória tática reforçam a ideia de que, no futebol mundial, Portugal continua a ser uma superpotência – seja na Europa ou nas areias da Arábia
