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Sardinha marroquina: Será que a "travagem" das exportações consegue baixar os preços?


Rabat, 10 de fevereiro de 2026(MENA24)

A sardinha é considerada o "peixe dos pobres" e a espinha dorsal da proteína de peixe em Marrocos. No entanto, o seu preço registou recentemente aumentos sem precedentes, tornando-a inacessível para grandes faixas da população. Esta situação levou à adoção de orientações estratégicas que visam priorizar o mercado interno, restringindo as exportações, para garantir a abundância da oferta e reduzir os preços que têm esvaziado os bolsos dos consumidores.

Portos do Sul: o reservatório da riqueza piscatória

Colocam-se questões fundamentais sobre o papel das regiões do Sul nesta crise, uma vez que os relatórios indicam que os portos do Sul fornecem cerca de 30% da oferta nacional de peixe. A concentração da oferta nesta região deve-se a várias razões:

· Riqueza das pescarias: As águas territoriais do Sul (especialmente em Boujdour e Dakhla) são caracterizadas pelo fenómeno da "ressurgência" (upwelling), o que as torna uma das áreas mais ricas do mundo em pequenos peixes pelágicos.

· Infraestruturas: Os portos do Sul registaram um grande desenvolvimento nas técnicas de pesca e descarga, tornando-os os principais fornecedores das unidades de conserva e dos mercados nacionais.

· Migração dos cardumes: Os movimentos da sardinha são influenciados por fatores climáticos, sendo que a biomassa se concentra mais nas costas atlânticas do Sul.

Dimensões económicas e sociais da decisão

A decisão de proibir as exportações por um ano não é apenas uma medida administrativa, mas uma tentativa de restabelecer o equilíbrio entre as divisas geradas pelas exportações e a estabilidade social. Enquanto os exportadores se queixam da perda de mercados internacionais e do prejuízo nos contratos externos, os especialistas consideram que a proteção da segurança alimentar dos marroquinos deve permanecer acima de qualquer outra consideração, especialmente com a continuação das ondas de inflação.

Desafios futuros

Apesar do aspeto positivo da decisão ao nível da abundância, o verdadeiro desafio reside nas cadeias de distribuição e no controlo dos intermediários. Sem uma reestruturação real dos mercados grossistas, a sardinha pode continuar abundante nos portos e cara nas cidades do interior, devido à multiplicidade de "especuladores".

Conclusão: 

A aposta nos portos do Sul para garantir o sustento diário dos marroquinos reflete a importância da soberania alimentar, mas exige também uma gestão sustentável dos stocks de peixe para garantir que não sejam esgotados.