20 de março de 2026 (MENA24)
Passados vinte dias desde o início da guerra israelo-americana contra o Irão, as consequências económicas globais extremamente graves revelam-se dia após dia, ameaçando reconfigurar o panorama financeiro e comercial internacional.
A perturbação no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do abastecimento mundial de petróleo, constituiu um golpe devastador para os mercados de energia, provocando uma subida em flecha dos preços do Brent e dos custos de frete.
Este aumento acentuado dos preços da energia ameaça desencadear uma nova vaga inflacionista num momento em que os principais bancos centrais se preparavam para aliviar as suas políticas monetárias, colocando a economia mundial perante o espectro de uma estagflação complexa.
Em paralelo com a crise energética, os mercados financeiros globais registaram quedas acentuadas, com os índices bolsistas dos mercados desenvolvidos e emergentes a sofrerem recuos significativos devido à fuga de capitais para ativos refúgio, como o ouro e o dólar americano.
Os mercados emergentes, em particular, encontram-se numa posição de extrema fragilidade, sofrendo pressões duplas resultantes do aumento do custo das importações de energia e da desvalorização das suas moedas locais face ao dólar, o que os sobrecarrega com dívidas e dificulta os esforços de desenvolvimento.
No que diz respeito ao comércio internacional, as operações militares e os ataques a infraestruturas paralisaram as rotas de transporte marítimo e aéreo na região, elevando os custos de seguro e perturbando as cadeias de abastecimento globais de bens essenciais e tecnológicos.
A continuação desta crise e a sua ampliação não ameaçam apenas a estabilidade geopolítica, mas anunciam uma crise económica global que deixará marcas profundas nas taxas de crescimento, nos níveis de vida e nos custos de produção em todo o mundo.
