Cidades do Futuro em Debate: Mobilidade, Tecnologia e Desigualdades no Século XXI
Rabat, 13 de março de 20226(MENA24)– Um estudo recente apresentado pela
organização Sociedad Civil Atlántica (SOCIAT-V) lança luz sobre as profundas
transformações urbanas, económicas e sociais que marcam o mundo contemporâneo,
destacando simultaneamente os avanços alcançados e as desigualdades que
persistem em muitas sociedades.
De acordo com declarações recolhidas pelo portal
Rue20 Español/Rabat, o presidente da SOCIAT-V e professor da Universidade
Nacional de Educação a Distância (UNED), Francisco de Torres Fernández,
sublinhou que várias teorias sociopolíticas formuladas nas últimas décadas do
século XX continuam surpreendentemente atuais.
Entre elas, destacou a conhecida
tese do “Choque de Civilizações”, proposta pelo cientista político Samuel P.
Huntington, que — segundo o académico — antecipou muitos dos debates atuais
sobre a reorganização do poder internacional e as tensões entre diferentes
blocos culturais.
Para De Torres, a globalização e a crescente interdependência
entre Estados contribuíram para redesenhar não apenas as relações
internacionais, mas também a organização territorial e administrativa de muitos
países. Esse processo implicou a transferência de responsabilidades e
competências para níveis regionais e supranacionais, influenciando o
desenvolvimento das regiões e até mesmo os projetos de vida de milhões de
cidadãos.
Por sua vez, Fatima Lahssini, vice-presidente da SOCIAT-V e professora
na Universidade Hassan I de Settat, explicou que um dos fenómenos mais marcantes
do último século foi precisamente a cedência progressiva de competências
soberanas dos Estados para estruturas supranacionais, como ocorreu no processo
de integração europeia. Segundo a académica, esse modelo abriu novas
oportunidades de mobilidade profissional e administrativa dentro de espaços
políticos mais amplos.
Lahssini acrescentou que essas transformações também
modificaram profundamente a configuração das cidades e das áreas metropolitanas.
O surgimento de grandes distritos urbanos tornaram-se elementos característicos
da organização territorial contemporânea, sobretudo para as classes médias e
trabalhadoras.
No plano da mobilidade, o estudo aponta que os avanços
tecnológicos e o desenvolvimento das infraestruturas de transporte — incluindo a
aviação regional de baixo custo, as redes ferroviárias de alta velocidade e a
expansão das estradas — reduziram drasticamente as distâncias físicas.
Esse fenómeno, frequentemente descrito como “compressão do espaço-tempo”, gerou um
nível de mobilidade sem precedentes, muitas vezes impulsionado não apenas por
necessidades profissionais, mas também por novas formas de consumo e turismo.
Apesar dessas transformações, o relatório da SOCIAT-V alerta para a persistência
de fortes desigualdades socioeconómicas. Segundo Lahssini, uma parte
significativa da população continua sem beneficiar plenamente do crescimento
económico.
Estima-se que cerca de 20% da população mundial permaneça em situação
de pobreza severa, enquanto uma parcela ainda maior enfrenta condições
socioeconómicas instáveis, sem acesso real à mobilidade social.
O estudo conclui ainda que qualquer estratégia de desenvolvimento sustentável deve integrar
obrigatoriamente a dimensão ambiental. Para os especialistas, a preservação dos
ecossistemas e o respeito pelos ciclos naturais são condições fundamentais para
a estabilidade das sociedades humanas.
Nesse contexto, os autores defendem que a educação e a formação profissional desempenham um papel central, funcionando
como motores de inovação e como instrumentos para formar novas lideranças
capazes de promover um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo.
Fonte:Rue20 Español/Rabat.