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Portugal destaca esforços de Marrocos e afasta ameaça a Schengen em Ceuta ocupada

 







Rabat, 06 de setembro de 2026
- O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, considerou “realmente impressionantes” os esforços desenvolvidos por Marrocos para conter a migração irregular e afastou a possibilidade de o afluxo de migrantes à cidade de Ceuta, no final de julho, ter constituído uma ameaça direta à zona Schengen.

Em declarações à margem do Fórum Ambrosetti, realizado em Cernobbio, perto de Milão, Paulo Rangel afirmou que Portugal acompanhou de perto a evolução da situação, mantendo-se informado “hora a hora” e transmitindo informações às partes envolvidas.

Segundo o chefe da diplomacia portuguesa, a avaliação feita por Lisboa desde o início da crise apontava para a inexistência de uma ameaça imediata à livre circulação no espaço europeu.

Lisboa destaca o papel de Marrocos

O responsável português sublinhou, neste contexto, a importância da atuação marroquina na contenção dos fluxos migratórios e na redução das consequências da crise.

No dia 31 de julho, dezenas de milhares de migrantes atravessaram a fronteira em direção a Ceuta, ainda ocupada por Espanha, desencadeando novas tensões no espaço europeu.

A situação levou a Itália a reforçar temporariamente os controlos nas fronteiras com Espanha, uma decisão justificada pelo Governo italiano com base em preocupações de segurança. Madrid respondeu com medidas semelhantes relativamente aos passageiros provenientes de Itália.

Tensões entre Roma e Madrid

Apesar da gravidade política do episódio, Paulo Rangel considerou que as divergências entre Roma e Madrid permanecem limitadas e manifestou confiança na sua rápida resolução.

“Espanha e Itália são países amigos”, afirmou o ministro português, numa referência às relações entre os dois Estados-membros da União Europeia, que têm mantido divergências em matéria de migração e sobre outras questões da agenda europeia.

Portugal não subscreveu uma carta europeia que apelava à realização de conversações de emergência sobre a situação em Ceuta. Ainda assim, Lisboa apoiou a realização de uma reunião dos ministros do Interior dos países da União Europeia destinada a analisar os últimos acontecimentos.

Ceuta e as particularidades da circulação no espaço europeu

Embora Espanha integre o espaço Schengen, a circulação de passageiros provenientes de Ceuta para outras partes do território da União Europeia está sujeita a procedimentos específicos de controlo de identidade.

Esta particularidade faz com que os movimentos a partir da cidade sejam enquadrados por regras que não correspondem integralmente às condições de circulação normalmente aplicadas entre os restantes países do espaço Schengen.

Neste contexto, a avaliação portuguesa é de que os acontecimentos de julho não representaram uma ameaça direta à integridade do espaço europeu de livre circulação.

A posição de Lisboa coloca, assim, os esforços de Marrocos no combate à migração irregular entre os principais fatores que contribuíram para conter os efeitos da crise, ao mesmo tempo que afasta o risco de uma escalada capaz de pôr em causa o funcionamento do espaço Schengen.